Eu

Eu
luto eterno

sábado, 11 de fevereiro de 2012


Dizem que quando uma mãe perde um/a  filho/a a saudade atenuará com o tempo, e não é como querem crer... Ela não diminui. 
O tempo e inimigo da saudade e não a beneficia em nada! . 
Quem não sabe que quando não vemos alguém por um dia, não sentimos tanta saudade quanto sentimos quando não a vemos por um, dois, três anos ou mais? 
Mesmo assim as pessoas fecham os olhos para essa realidade, e querem mesmo fazer uma mãe órfã crer que a dor da saudade irá diminuir com o tempo. Isso e indecente! 
 Minha filha Kássia, foi levada por Deus, mas curiosamente para aqueles que nunca experimentaram a imensa dor de ver uma filha partir, 9 ou 10 meses já é tempo suficiente para uma mãe sequer falar de sua filha. 
Que crueldade! E que falta de entendimento! 
Após 1 ano da partida de minha filha, as pessoas  começaram  a me cobrar um sorriso constante. Afinal como viver um luto perpétuo? Não temos o direito de chorarmos a morte de um/a filho/a  para sempre?
Como andarmos pelos mesmos lugares que eles andaram, ou conhecermos lugares que gostaríamos de compartilhar tais novas descobertas com nossos rebentos, sem nos lembrarmos deles? 
Como podemos ver seus amigos casarem, se formarem, seguirem seus rumos sem imaginarmos como seria o futuro dos nossos? 
Como posso experimentar aquele seu prato preferido, sem lembrar o quanto ela gostava daquilo? 
Para quem não conhece o quanto e grande entregar um filho a Deus, é fácil acreditar que 1 ano após a isso, a mãe órfã já não tem nenhuma razão para sofrer... 
Mentira! Engano! Ledo engano... 
O luto de um/a  filho/a é para sempre. Ainda que a psicologia teime em dizer que a fase critica de um luto ocorre em 6 meses. Eu e qualquer outra mãe órfã podemos garantir que essa fase critica do luto de uma mãe nunca vai passar. Mesmo porque as reações são variadas. 
Algumas de nós só vamos entender o que realmente aconteceu após 6 meses. Isso posso garantir! 
Até lá,  o cheiro dos nossos rebentos ainda é muito presente. 
Ainda recebemos cartas ou telefonemas ,u até mesmo as contas ainda para pagar. 
Como estar na fase critica do luto num período em que tudo concorre para respaldar o que ainda não queremos acreditar? 
É justamente quando ele começa a ser esquecido que a realidade cai com fúria sobre nossas cabeças. 
É justamente quando ninguém mais fala, ou quer falar, que a mãe órfã sente-se sozinha e recorda que um dia ela andou com seu corpo na terra. 
É quando o cheiro de suas roupas se esvai... 
É quando as pessoas não telefonam mais o/a procurando. 
É quando as cartas não chegam mais... 
Que a mãe órfã, calada, num silêncio profundo vive sozinha o inicio de um luto isolado, sem ninguém para acompanhar, sem ninguém para consolar... 
O que deveria ser um consolo passa então a ser uma cobrança. 
Filhos passam a cobrar uma alegria constante, passam a cobrar disposição. 
Amigos passam a cobrar esquecimento. 
E vizinhos passam a cobrar o silencio... 

Silencio... 
O silencio do túmulo. Dito silêncio sepulcral. 
Ironia... 
É justamente o silencio do túmulo que grita nos ouvidos da mãe que calada segue o seu destino, que
carrega ausência gritante de um/a filho/a que tanto amou, e ainda ama, e sempre amara...
Esse silêncio sepulcral...
Silêncio que vem de encontro a dor da saudade para nos dizer : E verdade!
Todos os dias fazemos uma meditação que nos encoraja a continuarmos aqui.
 Ele/a  está com Deus, portanto vou levantar, vou me vestir e vou seguir o meu destino.
Não vou acreditar que isso passará com o tempo, porque eu sei que é mentira!
Não vou acreditar que algum dia eu levantarei de minha cama e me esquecerei que ele/a  passou por aqui, como ele/a  era, quais ambições tinha, quais projetos terrenos queria executar, quem amou, o que desejou , que comida gostava, qual a cor preferida, ou ate mesmo do timbre de sua voz...
Para as pessoas que passam no meu trajeto evito falar, evito citar. Não porque me esqueci dele/a, mas porque não quero ouvir alguém aconselhar-me a esquecer...
 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quando estiver tentando ajudar uma mulher que perdeu um filho, não ofereça sua opinião pessoal sobre sua vida, suas escolhas, seus projetos para seus filhos. ou como ela deveria se comportar. 
Não diga: É a vontade de Deus. por favor, não deduza o que Deus quer para mim. A vontade de Deus é que ninguém sofra.Ele apenas permite .Apesar de saber que muitas coisas terríveis que acontecem são permitidos por Deus, isto não faz estes acontecimentos menos terríveis. 
Não diga: Foi melhor assim do que de outra forma.. Por favor, não tente me confortar destacando isto. 
Não diga: Você tem outros filhos. Se tivesse a escolha entre perder este filho ou furar meu olho com um garfo, eu teria dito: Onde está o garfo? Eu morreria por esta 
filha, assim como você morreria por seu filho.Uma mãe pode ter dez filhos, mas sempre sentirá falta daquele que se foi, 
Não diga: Agradeça a Deus pelo(s) filho(s) que você tem. Se a sua mãe morresse num terrível acidente e você estivesse triste, sua tristeza seria menor porque você tem seu pai? 
Não diga: Já não é hora de deixar isto para trás e seguir em frente? Esta situação não é algo que me agrada. Eu queria que nunca tivesse acontecido. Mas aconteceu e faz parte de mim para sempre.A tristeza tem seu tempo que não é o meu ou o seu. 
Não diga: Eu entendo como você se sente. A menos que você tenha perdido um filho, você realmente não sabe como eu me sinto. E mesmo que você tivesse perdido, cada um vivencia esta tristeza de modo diferente. 
Não me conte estórias terríveis sobre sua vizinha, prima ou mãe que teve um caso parecido ou pior. A última coisa que preciso ouvir agora é que isto pode acontecer seis vezes pior ou coisas assim. Estas estórias me assustam e geram noites de insônia assim também como tiram minhas esperanças. Mesmo as que tenham tido final feliz, não compartilhe comigo.
Não finja que nada aconteceu e não mude de assunto quando eu falar sobre o ocorrido. Se eu disser antes de minha filha morrer... Ou quando ela estava viva...não se assuste. Se eu estiver falando sobre o assunto, isto significa que quero falar. Deixe-me falar. Fingir que nada aconteceu só vai me fazer sentir incrivelmente sozinha. 
Não diga Não é sua culpa. Talvez não tenha sido minha culpa, mas era minha responsabilidade e eu sinto que falhei. O fato de não ter tido êxito, só me faz sentir pior. 
Diga: Eu sinto muito. É o suficiente. Você não precisa ser eloqüente. As palavras dizem por si. 
Diga: Ofereço-lhe meu ombro e meus ouvidos. 
Diga: Eu fiz uma oração por vocês. Mande flores ou uma pequena mensagem. Cada uma que recebi, me fez sentir amada. Não envie novamente se eu não responder.Não ligue mais de uma vez e não fique brava se eu não atender sua chamada. Se nós somos amigos íntimos e eu não estiver respondendo suas ligações, por favor, me visite.
Não espere tão cedo que eu apareça em festas ou vibre de alegria no natal ou ano novo
Reconheça que eu sofri uma morte em minha família não é simplesmente uma licença médica. Reconheça que além dos efeitos colaterais físicos, eu vou estar triste e angustiada por algum tempo. Por favor, me trate como você trataria uma pessoa que vivenciou a morte trágica de alguém que amava. Eu preciso de tempo e espaço. 
Eu talvez diga olá, mas talvez eu não consiga reprimir as lágrimas. Talvez ainda se passarão semanas ou meses antes que eu fique pelo menos uma hora sem pensar nisso. Você saberá quando eu estiver pronta. Acima de tudo, por favor, lembre-se que isto é a pior coisa que já me aconteceu. A palavra morte é pequena e fácil de dizer. Mas a morte da minha filha é única e terrível. Vai levar um bom tempo até que eu descubra como conviver com isto. 

Ajude-me.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012



Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você

E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você

Nem mesmo o céu nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito

Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você

Nunca se esqueça, nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você 

Mas como é grande o meu amor por você

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Perder um  ente querido,

talvez um sonho,

dói de verdade.

A gente imagina que vai morrer sem ele.

Nada mais importa,

nada mais tem muito valor.

Não há motivos, não há mais porquês.

Não existem mais motivos de se chegar nem porque ir.

Como dói aquela ausência

Como dói a perspectiva de nunca mais ter nos braços alguém que a gente imaginava ao nosso lado por muito tempo.

Como dói acabarem as ilusões,

Nunca mais.

E no entanto, quando aquela dor torturadora se vai,

vencida pelo correr de longos e longos  dias meses  anos,

o que sentimos não é alívio,

mas vazio e frustação.

Como se dentro da gente ficasse faltando um pedaço...

um pedaço impossível de ser consertado.