Eu

Eu
luto eterno

sexta-feira, 23 de setembro de 2011



Há dias assim

Que nos faltam as palavras

O pensamento emburrece

E a lágrima não desce;

Então,

Criamos um verso sem crédito

Repetimos um verbo decrépito

Desejamos um sol que não aparece

Ou um milagre que não acontece.

Há dias assim

Que a gente se vê meio aéreo

E sente a garganta entalada

Com alguma coisa não explicada

Então,

Procuramos entre as tralhas do sótão

Um trilha inexistente

Uma prece remanescente

Ou as notas daquela canção.

Há dias assim

Que o corpo parece doentio

O juízo se torna senil

E o alento se dá ao extravio

Então,

Enfatizamos o nosso silêncio

Emborcamos os nossos sentidos

E ficamos curtindo um vazio

Há dias assim

Que o melhor seria só dormir

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